Em 27 de janeiro celebra-se o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) para marcar a libertação do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, na Polônia, em 1945 — quando a brutalidade do regime nazista ficou exposta ao mundo e as tropas libertadoras encontraram os horrores que marcaram um dos períodos mais sombrios da história humana. (As Nações Unidas em Brasil)
Mais do que um dia no calendário, essa data nos desafia a refletir sobre os perigos da intolerância, do discurso de ódio e da desumanização e a lembrar que preservar a memória das vítimas é um compromisso ético com o presente e com o futuro. (Serviços e Informações do Brasil)
O que foi o Holocausto?
O termo “Holocausto” refere-se ao assassinato sistemático e planejado de cerca de seis milhões de judeus pelo regime nazista entre 1933 e 1945. (As Nações Unidas em Brasil)
Essas mortes não foram um “efeito colateral” da guerra — foram o resultado de políticas de Estado deliberadas. Além da população judaica, outros grupos também foram perseguidos e assassinados:
- Povos ciganos (Roma e Sinti);
- Pessoas com deficiência;
- Homossexuais;
- Opositores políticos;
- Prisioneiros de guerra;
- Testemunhas de Jeová. (Deutsche Welle)
A perseguição ocorreu em guetos, trabalhos forçados, campos de concentração e extermínio, onde milhões de pessoas sofreram tortura, fome, doenças e morte.
Raízes ideológicas: quando o ódio vira projeto político
O Holocausto foi sustentado por uma ideologia racista e autoritária que defendia a superioridade de um grupo étnico em detrimento de todos os outros. Essa visão foi disseminada por meio de:
- Propaganda estatal e controle da mídia;
- Pseudociência racial;
- Desinformação e estigmatização de grupos minoritários.
A naturalização de narrativas que associavam crises sociais a “inimigos internos” transformou o preconceito em política pública, criando condições para que a exclusão social se tornasse violência institucionalizada.
Como sociedades inteiras foram levadas a aceitar o inaceitável
O Holocausto não começou com câmaras de gás — começou com palavras.
Primeiro, vieram discursos que rotulavam pessoas como “ameaças” à nação. Em seguida, leis retiraram direitos básicos de determinados grupos. Aos poucos, excluídos da vida pública, esses grupos foram sendo desumanizados diante de uma sociedade que se tornava cada vez mais indiferente.
A propaganda oficial, presente em jornais, cartazes e materiais educacionais, moldou a percepção coletiva sobre quem era “digno” ou “indigno” de direitos. Quando uma mentira é repetida continuamente, ela pode se disfarçar de verdade.
Esse processo revela algo horrivelmente atual: o autoritarismo não se impõe apenas pela força, mas também pela indiferença — o silêncio, o “não é comigo”, a normalização de pequenas injustiças podem criar as bases para atrocidades maiores.
Consequências humanas e culturais
O impacto do Holocausto vai muito além de números. Foram destruídas:
- Famílias inteiras e tradições culturais;
- Comunidades que existiam há séculos;
- Memórias pessoais e coletivas.
Cada vítima representa uma vida que foi interrompida, e cada perda simboliza um universo de futuros que jamais se realizaram.
Por que lembrar é um dever ético?
A preservação da memória histórica não é um exercício de nostalgia — é uma condição necessária para evitar que situações semelhantes se repitam.
O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania do Brasil destaca que, para evitar tragédias como o Holocausto, é essencial preservar a memória histórica e garantir que tais crimes nunca mais se repitam, promovendo respeito à dignidade humana e o combate a práticas discriminatórias. (Serviços e Informações do Brasil)
Entre as práticas atualmente identificadas como ameaças à democracia estão o neonazismo, a violência política e atos extremistas, que se alimentam de discurso de ódio e minam valores fundamentais de convivência e direitos humanos. (Serviços e Informações do Brasil)
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Passado e presente: uma conexão necessária
O Holocausto mostra que as sociedades não sucumbem da noite para o dia — elas se transformam gradualmente através de narrativas que excluem, dividem e desumanizam.
Em nosso tempo, marcado por:
- circulação rápida de informações (e desinformações),
- polarização,
- discursos que culpam grupos específicos por problemas sociais,
É fundamental que tenhamos pensamento crítico e vigilância ética. Desinformação, intolerância e discursos que desconsideram a dignidade humana podem ressurgir se não forem enfrentados com educação e valores democráticos.
O papel do estudante na preservação da memória
Para o aluno, estudar o Holocausto não é apenas aprender fatos históricos — é desenvolver:
- Empatia, ao reconhecer o sofrimento de milhões de pessoas;
- Consciência crítica, para questionar narrativas simplistas;
- Responsabilidade cidadã, ao entender que preservar direitos humanos exige ação.
Cada geração tem a tarefa de proteger a verdade histórica e impedir que o esquecimento transforme tragédias em meros números.
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Conclusão: lembrar para não repetir
O Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto nos lembra que lembrar não é um ato passivo — é um compromisso com a vida e com a dignidade humana.
Lembrar é um compromisso com o presente.
Lembrar é uma proteção do futuro.
Esquecer é permitir que os erros do passado voltem a ocorrer.
Que a memória nos inspire a construir uma sociedade que valoriza a diversidade, combate o ódio e honra os direitos humanos — hoje e sempre. (As Nações Unidas em Brasil)
